A inteligência artificial tem se mostrado uma forte aliada na rotina e no ambiente profissional do mundo contemporâneo. Porém, a tecnologia também vem sendo utilizada para a prática de crimes. Na Cidade de Goiás, mulheres foram vítimas dos chamados deepfakes sexuais, com imagens manipuladas para simular conteúdos de nudez e caráter sexual.
Deepfakes sexuais são imagens, vídeos ou outros conteúdos íntimos falsos produzidos ou manipulados por meio de inteligência artificial e outros recursos tecnológicos, sem o consentimento das pessoas retratadas. A prática pode provocar graves violações à intimidade, à honra e à dignidade das vítimas.
A nail designer Keylla Silveira, de 22 anos, e cerca de outras cinco jovens, entre elas uma menor de idade, foram vítimas desse tipo de manipulação na Cidade de Goiás. Segundo Keylla, fotografias publicadas em suas redes sociais foram utilizadas para produzir conteúdo sexual falso, posteriormente distribuído pela internet.
Em entrevista à Rádio Nova Fogaréu, Keylla contou que descobriu o caso na última quarta-feira (5), após ser alertada por uma amiga. “Eu fiquei em choque. Minhas redes sociais são usadas praticamente para divulgar o meu trabalho. Quando vi o que estava circulando, fiquei em choque e fui procurar a Justiça”, disse.
Keylla, que é casada há cinco anos e mãe de uma menina de dois anos, afirmou que sua família compreendeu a situação. Mesmo assim, teme que a circulação do conteúdo falso provoque impactos em sua vida profissional, social e psicológica.
“É muito difícil falar sobre isso e expor esta situação. Desejo que nenhuma mulher passe por isso. Mesmo que a foto e o corpo não sejam reais, ao andar na rua ouço os buchichos que me incomodam. Peço que as mulheres tomem cuidado e que, se passarem por esta situação, não tenham medo ou vergonha de denunciar”, afirmou Keylla à rádio.
A Rádio Nova Fogaréu procurou a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) da Cidade de Goiás para obter informações sobre o caso. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.
O que diz a legislação
O Código Penal brasileiro prevê punição para quem realiza montagem em fotografia, vídeo, áudio ou outro registro com o objetivo de incluir uma pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo.
Além disso, desde 2025, o crime de violência psicológica contra a mulher tem a pena aumentada pela metade quando praticado com uso de inteligência artificial ou qualquer outro recurso tecnológico que altere a imagem ou o som da vítima.
Em 2026, a regulamentação federal sobre proteção de mulheres no ambiente digital passou a reconhecer expressamente como conteúdo íntimo aquele produzido ou manipulado, total ou parcialmente, por inteligência artificial.
As vítimas devem procurar as autoridades policiais e preservar elementos que possam auxiliar na investigação, como links, nomes de perfis, datas, mensagens e registros da publicação e do compartilhamento do material.
Nos casos que envolvam crianças ou adolescentes, o conteúdo sexual não deve ser compartilhado ou encaminhado, nem mesmo na tentativa de denunciar a situação. A ocorrência deve ser comunicada imediatamente às autoridades competentes.



