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Morre Vicência Bretas Tahan, última filha viva de Cora Coralina. Conheça texto empoderado que a poetisa escreveu à filha

A última filha da poetisa Cora Coralina, a escritora e biógrafa Vicência Bretas Tahan, morreu na última terça-feira (14), aos 97 anos. A informação foi divulgada pelo Museu Casa de Cora Coralina, que lamentou a morte e destacou a importância de Vicência na preservação da memória de sua mãe.

Sua partida encerra um capítulo da história da família de nossa poetisa, mas sua memória permanecerá viva junto ao legado que ajudou a preservar ao longo de sua vida”, diz trecho da nota.

Vicência nasceu em 24 de setembro de 1928 e era a filha caçula de Cora Coralina. Deixa os filhos Rubio, Célia, Ana Maria e Carlos Magno, além de netos.

Além de preservar o legado da mãe, também atuou como escritora e biógrafa, publicando o livro “Cora Coragem, Cora Poesia”, lançado originalmente em 1989.

Em nota, o governador Daniel Vilela lamentou a morte da escritora e afirmou que Vicência teve papel fundamental na preservação da memória e do legado de Cora Coralina.

A Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult) também divulgou uma nota de pesar, na qual destacou que a escritora foi uma das principais responsáveis pela preservação da memória e do legado de Cora Coralina.

A Prefeitura da cidade de Goiás também publicou nota de pesar, na qual ressaltou seu importante papel na difusão da obra de Cora.

Na obra de Cora, um texto que a poetisa fez para a filha tornou-se famoso pela sensibilidade e pelos conselhos que traz consigo. Trata-se da “Carta para Vicência”, na qual Cora Coralina, de forma sensível e empoderadora, fala sobre a essência de ser mulher. Ela compara a trajetória feminina a um rio, ensina sobre resiliência e deixa um legado de força para a filha.

Trecho do texto:

“Minha querida Vicência, eu te escrevo essa carta com as mãos calejadas do ofício de doceira, mas com o coração leve com o cheiro das goiabas maduras. Você me perguntou o que é ser mulher no mundo. Eu te respondo: ser mulher é como ser um rio. Parece que se segue o caminho que outros desenharam, mas, no fundo, as mulheres cavam seu próprio leito. (…) A vida mói os fracos e tempera os fortes. Quando o mundo apertar, é preciso virar do avesso. Nunca se deve pedir licença para existir. É preciso guardar a doçura, mas não confundi-la com fraqueza; até o mel da abelha defende sua colmeia. Nenhuma filha de Cora será serva.”

Foto: Lázaro Ribeiro

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