A chegada do período de férias escolares e do clima seco em Goiás traz de volta às ruas uma das brincadeiras mais tradicionais do país, mas que também tem gerado um rastro preocupante de interrupções no fornecimento de energia. Um levantamento divulgado pela Equatorial Goiás, referente ao primeiro semestre de 2026, revela que mais de 70 mil clientes já foram impactados por ocorrências envolvendo pipas próximas à rede elétrica no Estado.
O impacto na rotina das famílias ocorre por causa de uma peça-chave do sistema: os chamados alimentadores. Um alimentador é o cabo principal de energia que sai de uma subestação para abastecer bairros inteiros ao longo de vários quilômetros. Quando a linha de uma pipa se enrosca nesses pontos estratégicos, ela cria um caminho condutor para a corrente elétrica. Isso provoca um curto-circuito imediato, fazendo com que os sistemas automáticos de proteção desliguem a rede para evitar incêndios e acidentes.
Para o gerente do Centro de Operações Integradas da Equatorial Goiás, Vinicyus Lima, soltar pipa é uma tradição cultural saudável, mas que exige responsabilidade coletiva.
“Quando uma linha atinge um alimentador importante da rede elétrica, o impacto não é apenas local: bairros inteiros e milhares de famílias podem perder o fornecimento de energia instantaneamente por conta de uma brincadeira em local inadequado. Precisamos do apoio dos pais e dos jovens para que a diversão aconteça longe dos fios e com total segurança”, ressalta Vinicyus.
O grande perigo na rede elétrica vai além do brinquedo de papel e está associado ao uso ilegal de materiais cortantes. A prática é combatida de forma rigorosa pela legislação vigente no Estado. A Lei Estadual nº 20.454/2019 proíbe a fabricação, a comercialização e a posse de cerol ou linha chilena em Goiás.
As penalidades administrativas preveem multas que começam em R$ 200 e podem chegar a R$ 2 mil para pessoas físicas. Para estabelecimentos comerciais flagrados comercializando esses materiais, a multa ultrapassa R$ 3 mil, podendo ser aplicada em dobro e resultar no fechamento definitivo do local em caso de reincidência. Na capital, a Lei Municipal nº 8.832/2009 reforça a proibição do uso desses materiais em áreas públicas e autoriza sua apreensão imediata pelos órgãos de fiscalização.
Vinicyus Lima reforça a gravidade do uso desses materiais e os riscos que eles representam para a continuidade do fornecimento de energia e para a integridade física das pessoas.
“O grande perigo real na rede elétrica não é a pipa em si, mas o uso criminoso de cerol e linhas chilenas. Esses materiais cortantes danificam os cabos de energia e representam um risco gravíssimo de acidentes fatais, tanto para a população quanto para as nossas equipes de campo, que trabalham na manutenção. Nosso compromisso técnico é monitorar e reparar esses circuitos críticos de forma ágil, mas a prevenção e o respeito às leis de segurança continuam sendo o melhor escudo para proteger vidas”, alerta o gerente.
Orientações de segurança
- Evitar soltar pipas próximo à rede elétrica;
- Priorizar locais abertos, como parques e campos;
- Não tentar retirar pipas presas em fios ou postes;
- Não utilizar cerol ou linha chilena;
- Evitar materiais metálicos na estrutura da pipa;
- Manter crianças sob supervisão.
Em caso de ocorrência
- Isolar o local e evitar a aproximação;
- Não tocar em fios ou objetos em contato com a rede elétrica;
- Acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193;
- Entrar em contato com a Equatorial Goiás pelo telefone 0800 062 0196.
Foto: Equatorial



