A Cidade de Goiás se despediu, com homenagens e gratidão, da mestra da medicina tradicional brasileira Dona Maria Luiza. O velório foi realizado na última quarta-feira (30), na Diocese de Goiás. Já na manhã desta quinta-feira (1º), após missa de corpo presente na Catedral de Sant’Ana, ela foi sepultada no Cemitério Municipal São Miguel Arcanjo.
A missa foi concelebrada pelo bispo emérito Dom Eugênio Rixen, pelo pároco da Catedral de Sant’Ana, padre Augusto César, e por outros padres da região. Durante a homilia, Dom Eugênio destacou a personalidade amorosa, solidária e acolhedora de Maria Luiza.
“Nunca a vi brigar, falar mal dos outros. Era uma mulher de paz, de cuidado e solidariedade”, disse o bispo, que também citou uma frase de Santa Dulce dos Pobres: “Só com amor, fé e dedicação é possível transformar a realidade em que vivemos”.
A despedida reuniu familiares, amigos e companheiros dos diversos espaços onde Maria Luiza atuou ao longo da vida, entre eles a Diocese de Goiás, a Casa da Agricultura Familiar, a Pastoral da Saúde e o Conselho Municipal de Saúde. A Catedral ficou lotada. Autoridades também estiveram presentes, entre elas o prefeito Aderson Gouvea, secretários municipais e vereadores.
“Maria Luiza resgatou os saberes populares e até ajudou a produzir remédio contra o vitiligo. Apesar de tantos feitos, era tomada de simplicidade e boa vontade. Ia para as comunidades, o carro quebrava, atolava, ela chegava e contava rindo as peripécias vivenciadas”, recordou Norma Silva, que trabalhou com Maria Luiza no Conselho Municipal de Saúde.
Desde a notícia de sua morte, diversas instituições publicaram notas de pesar, entre elas o Instituto Federal de Goiás (IFG), o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI-UFG) e a Organização Vilaboense de Artes e Tradições (OVAT). A Prefeitura de Goiás também manifestou pesar e decretou luto oficial de três dias.
“Maria Luiza deixa um legado de cuidado e luta em defesa da dignidade das pessoas e da proteção do Cerrado”, afirmou o prefeito Aderson Gouvea, em nota oficial.
Dona Maria Luiza morreu aos 82 anos. Ela enfrentava um câncer raro na região nasal, cujo tratamento necessitava de medicação de alto custo. Em março deste ano, uma campanha solidária mobilizou a comunidade para arrecadar recursos destinados ao tratamento.
Parte da trajetória de Maria Luiza e de seu trabalho com plantas medicinais foi registrada no documentário “Entre Raízes e Saberes”, dirigido por Vincent Glen Gielen. O filme foi exibido neste ano durante o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica), na mostra Becos de Minha Terra, dedicada às produções locais.



