Neste sábado (20), a noite de programação do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), será encerrada pela cantora e compositora Vanessa da Mata. A artista de voz impecável e letras sensíveis, apresenta às 22h30, na Praça de Eventos, o show inspirado no álbum “Todas Elas”. Em entrevista ao Jornal Nova Fogaréu, ela conta sobre a performance de logo mais, sua relação com a poesia, entre outros assuntos. Confira trechos da conversa a seguir:
Jornal Nova Fogaréu: Como é estar de volta à cidade de Goiás em um festival como o FICA?
Vanessa da Mata: Guardo com muito carinho todas as apresentações que já fiz em Goiás. Tenho certeza de que esse reencontro será bem especial e marcado com muita emoção.
JNF: Que momentos mais emocionantes traz o show “Todas Elas”?
Vanessa da Mata:O “Todas Elas” tem momentos bem emocionantes e um deles é quando canto a minha versão de “Nada Mais”, um clássico da Gal Costa que gravei na edição deluxe do meu disco. Outro momento que gosto muito do meu novo show é quando apresento “O Mio Babbino Caro”, de Giacomo Puccini para a ópera Gianni Schicchi. Vai ser uma noite de celebração da música no FICA!
JNF: Neste show você celebra as mulheres, suas facetas e lutas. Qual foi o seu maior intuito na concepção deste álbum?
Vanessa da Mata: Esse é um disco que poderia contar a história de várias mulheres. Ele traz situações amplas e diversas que podem acontecer com muitas pessoas. Em “Todas Elas” eu apresento um olhar sobre a vida, a mulher e o amor. E é também um trabalho que mostra as mulheres que formam a minha pessoa, eu exponho nas músicas as minhas facetas e os meus momentos. Pra mim é um projeto muito potente porque ele debate temas que são importantes e que precisam ser discutidos na nossa sociedade.
JNF: “Todas Elas” também fala sobre intolerância religiosa. Que papel a espiritualidade ocupa dentro da sua criação artística?
Vanessa da Mata: É um assunto que está muito presente na minha vida e na minha obra musical desde sempre e então é um processo bem natural para mim abordar essa questão na minha obra. A espiritualidade surge de forma natural na minha arte. No caso de “Eu Te Apoio em Sua Fé”, é uma música que escrevi após ver a notícia de um caso de intolerância religiosa. A música sempre foi um veículo enorme para lutar contra as injustiças, os preconceitos e o racismo. Ela propõe, realmente, uma reflexão, quando é usada pra isso, e essa canção fala sobre isso: o que as pessoas estão fazendo? Que distorção é essa? Acredito que essa música vai apoiar muita gente de fé!
JNF: Sua obra sempre foi marcada pela sensibilidade, poesia e o flerte com diversos estilos. O que mais tem te inspirado atualmente?
Vanessa da Mata: Escrever e compor pra mim é algo terapêutico. Sinto uma necessidade diária, é um dever que tenho comigo mesma. Normalmente vou para um lugar e escrevo. Na maioria das vezes, além da letra, já tenho a ideia da musicalidade. A minha inspiração vem de diversos aspectos da vida e acredito que isso cria uma conexão muito genuína e essa troca emocional com os meus fãs, tem uma identificação nas histórias que estou cantando. Eu presto atenção aos detalhes, em diversas coisas, o tempo, o nascer do sol, a chuva, as folhas que caem, a vida como um todo. Outro processo que contribui para a minha criatividade é a correria que faz parte da minha vida, eu não consigo parar muito e estou sempre pensando em novas coisas e novos projetos, isso é bem importante para o meu processo criativo.
JNF: Você já revelou, em várias entrevistas, o seu interesse pela literatura. Conhece a obra de Cora Coralina e Leodegária de Jesus? Elas também te inspiram?
Vanessa da Mata: Conheço a obra dessas escritoras e acho muito importante ter mulheres de destaque na literatura. É essencial ter vozes femininas que expressem suas próprias visões de mundo e falem de realidades que muitas vezes são ignoradas pela sociedade. Sempre celebro e defendo o protagonismo feminino em todas as áreas. E, a literatura é uma das minhas paixões. Sou cantora, compositora, pintora e escritora! Em 2013 lancei meu primeiro livro, o “A Filha das Flores”, e no momento estou trabalhando no meu segundo livro. Muito em breve, o público vai conhecer esse meu novo projeto.



