Há 220 anos, nascia aquele que se tornaria um dos mais importantes escultores da arte sacra goiana: Veiga Valle. Nascido em 9 de setembro de 1806, o artista tem seu legado celebrado até o dia 12 de setembro com a 3ª Semana Veiga Valle, que reúne missas, exposições, homenagens e cantata.
Durante os dias do evento, uma exposição na Igreja de São Francisco de Paula reúne obras ligadas a Veiga Valle. A mostra conta com a imagem de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, de grande valor histórico, artístico e devocional e que recebeu intervenção de Veiga Valle, e também com a imagem de Nossa Senhora das Dores.
“Este ano é a primeira vez, desde que a imagem veio para Goiás, que Nossa Senhora das Dores entra na Igreja de São Francisco. É a primeira vez que as imagens de mãe e filho ficam expostas sob o mesmo teto”, explica o provedor da Venerável Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos.
Outro ponto alto da programação acontece no dia 12 de setembro. Na data, em que também é celebrado o Dia do Belo, aniversário de outra grande artista goiana, Goiandira do Couto, a programação terá atividades em conjunto com as homenagens à artista das areias.
As atividades começam às 6h, com a Alvorada dos Sinos, em homenagem a Veiga Valle. Às 19h, uma missa em ação de graças em memória de Veiga Valle e Goiandira do Couto, com a presença do Coral Solo, será celebrada no Santuário do Rosário.
Após a missa, a Cantata de Veiga Valle a Goiandira do Couto: o Dia do Belo e Noite do Sagrado, com a participação dos seresteiros da tradicional Serenata, sairá pelas ruas da cidade. A concentração será em frente à casa do escultor, no Largo do Rosário, e o percurso terminará na casa de Goiandira do Couto, na Rua Joaquim Bonifácio.
Autodidata
Nascido em 1806, no Arraial da Meia Ponte, atual Pirenópolis, Veiga Valle desenvolveu suas habilidades artísticas de forma autodidata, destacando-se principalmente na escultura de santos.
A visibilidade de seu trabalho começou por volta de 1830, quando uma de suas esculturas do Divino Pai Eterno ganhou destaque entre os devotos. Ele é o autor da obra presente no Santuário Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade.
Em 1841, Veiga Valle mudou-se para a cidade de Goiás, dedicando-se à douração de altares e às esculturas sacras. Tornou-se, assim, o principal artista barroco goiano e um dos grandes nomes da arte sacra de Goiás, sendo chamado de “Aleijadinho goiano”.
Pela época em que viveu, no entanto, seria esperado que suas esculturas apresentassem características do estilo neoclássico. Pesquisadores de arte acreditam que a permanência de características barrocas em sua produção esteja relacionada ao isolamento da Província de Goiás naquele período, o que teria contribuído para que o barroco se estendesse por mais tempo na região.
Atualmente, mais de 200 obras do artista estão no Museu de Arte Sacra da Boa Morte, enquanto outras encontram-se espalhadas entre colecionadores e famílias de devotos que as adquiriram durante a vida do escultor.
Veiga Valle quase caiu no ostracismo
Em seu tempo, Veiga Valle tornou-se um santeiro requisitado. Contudo, após sua morte, em 1874, suas obras passaram por um período de esquecimento, em uma época em que não existiam museus, escolas ou artistas que se dedicassem à preservação e ao estudo de seu patrimônio visual.
Na década de 1940, porém, esse cenário começou a mudar. O pintor José Riscaia chegou à cidade de Goiás com o intuito de pesquisar artistas locais e conheceu a obra de Veiga Valle. A partir daí, sua produção começou a ser catalogada e foram realizadas exposições, inclusive no Museu de Arte de São Paulo.
De acordo com o presidente da Ovat, Guilherme Siqueira, após os estudos de Riscaia, Helder Camargo de Passos reuniu obras de Veiga Valle e, juntamente com Antolinda Baía, criou, em 1965, o Museu de Arte Sacra da Boa Morte, que guarda grande parte das obras do escultor.
No mesmo ano, foi criada a Ovat e, a partir daí, a arte do santeiro passou a ser valorizada como parte da representatividade cultural goiana, assim como diversas outras joias da cidade de Goiás, entre elas a Procissão do Fogaréu, uma das manifestações culturais e religiosas mais conhecidas da antiga Vila Boa.




