Após a Procissão do Fogaréu, a programação da Semana Santa da cidade de Goiás continua intensa nesta Quinta-Feira Santa, com a realização de eventos litúrgicos e tradicionais.
Na manhã desta quinta-feira, às 9h, foi realizada, na Catedral de Sant’Ana, a Missa dos Santos Óleos (Crisma) e a renovação das promessas sacerdotais. Já às 19h, no Santuário do Rosário e na Catedral de Sant’Ana, ocorre a Missa da Santa Ceia do Senhor e o rito do Lava-Pés.
Às 23h30, acontece a misteriosa Procissão dos Penitentes, que se inicia na Igreja de São Francisco de Paula e segue em direção ao Cemitério Municipal São Miguel Arcanjo.
A Procissão dos Penitentes é um ritual secular da Semana Santa. Encapuzados, os fiéis percorrem ruas históricas e becos escuros em silêncio e oração, pedindo pelas almas do purgatório.
Ao passarem pelas igrejas, os penitentes se ajoelham e suplicam misericórdia pelas almas. Durante todo o cortejo, são entoadas ladainhas fúnebres e cantos de misericórdia. Em cada igreja visitada, há uma pausa para oração e adoração.
Retomada da tradição
A retomada da Procissão dos Penitentes partiu do então presidente da Organização Vilaboense de Arte e Tradições (Ovat), Hecival Alves de Castro. A partir daí, a instituição iniciou uma ampla pesquisa sobre a chamada “procissão das almas”, com base em obras de Cora Coralina e da folclorista Regina Lacerda.
O professor Clóvis de Carvalho Brito foi responsável pela pesquisa histórica e iconográfica; Guilherme Veiga idealizou as vestes; e o professor Rafael Lino pesquisou os cânticos.
Após esse trabalho, a procissão voltou a ser realizada em 2012. No entanto, foi somente após o terceiro ano consecutivo de realização que passou a integrar oficialmente a programação da Semana Santa da cidade de Goiás.
Procissão das almas?
A Procissão dos Penitentes é cercada por lendas. A mais conhecida conta que um cortejo passava pelas ruas da cidade toda Sexta-Feira Santa, com pessoas encapuzadas e velas nas mãos, rezando pelo alívio das almas.
Certa vez, um dos integrantes teria entregado sua vela a uma mulher conhecida por viver à janela observando a vida alheia, dizendo que retornaria para buscá-la na semana seguinte. Quando voltou, a mulher, ao abrir a gaveta onde guardara a vela, encontrou um osso humano e desmaiou. Ao procurar o padre, ouviu que aquilo seria um castigo por sua conduta.
Outra crença popular diz que quem participa da procissão deve fazê-lo por, no mínimo, sete anos consecutivos. Já aqueles que rezam durante o cortejo assumem o compromisso de repetir as orações por sete vezes.
Foto: Karina Carvalho



