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Mês das Mulheres chega com alerta para alta da violência doméstica; Cidade de Goiás não registra feminicídios há anos, mas possui 151 medidas protetivas ativas

Neste domingo (8) celebra-se o Dia Internacional das Mulheres. A data envolve homenagens e celebrações, mas, desde que foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU), na década de 1970, também carrega um forte caráter de reflexão e luta por direitos e equidade.

Neste ano, a data chega marcada por um alerta: o aumento de casos de violência contra a mulher em todo o país.

Estudo publicado em janeiro pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (UEL) apontou que, em 2025, foram registrados 6.904 casos de feminicídio ou tentativa de feminicídio no Brasil, o maior número desde o início do levantamento, que está em sua terceira edição.

Em Goiás, o cenário também preocupa. Ao longo de 2025, 316 mulheres foram mortas ou sofreram tentativa de feminicídio no estado. Em comparação com 2024, houve um aumento de 19 casos, o que representa uma alta de 6,4%.

A pesquisa da UEL também revelou um dado importante que pode ajudar a compreender o fenômeno. De acordo com o estudo, metade dos feminicídios registrados no país ocorre em cidades com até 100 mil habitantes, municípios que concentram cerca de 41% da população feminina brasileira.

Segundo os pesquisadores, esse cenário está relacionado à baixa presença de redes especializadas de atendimento nesses territórios. Apenas 5% dos municípios com menos de 100 mil habitantes possuem Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (Deams).

Rede de proteção

Com uma população estimada em cerca de 24 mil habitantes, a cidade de Goiás conta com uma rede de proteção à mulher considerada estruturada.

No município existe a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), responsável pela investigação dos crimes e pela solicitação de medidas protetivas. Também atua na cidade o 2º Batalhão Maria da Penha, que fiscaliza o cumprimento das medidas protetivas de urgência.

A rede conta ainda com a Secretaria Municipal das Mulheres e Direitos Humanos e com o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), que oferecem suporte psicossocial e orientação jurídica às vítimas.

Além disso, no âmbito do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) são realizados grupos reflexivos voltados a homens autores de violência. Esses encontros funcionam como espaços de educação e responsabilização, baseados na Lei Maria da Penha, com o objetivo de interromper o ciclo da violência doméstica por meio de discussões sobre masculinidade, gênero e relações.

Números ainda preocupam

A atuação dessa rede de apoio tem trazido resultados positivos. Há anos não são registrados casos de feminicídio na cidade de Goiás, conforme dados do 2º Batalhão de Polícia Militar Maria da Penha.

Apesar disso, os números relacionados à violência doméstica ainda preocupam. No ano passado, segundo o batalhão, foram registradas mais de 300 ocorrências de violência doméstica no município. Atualmente, 151 medidas protetivas de urgência estão ativas e são acompanhadas pela equipe policial.

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