Os artistas possuem o poder de, mesmo após a morte, manterem-se vivos por meio de seus trabalhos. Um exemplo é a escultora agiológica Neusa Garcia, que faleceu há cerca de um mês, aos 91 anos, mas cuja obra ainda emociona e comove o público no Instituto Biapó, na exposição “Amigas Santeiras”.
Neste sábado (7), em meio aos trabalhos da mostra, acontecerá uma homenagem a Neusa Garcia, com uma bênção ministrada por Frei Cristiano Bhering e o acendimento de uma vela. “Será um encontro para celebrar a vida, a obra e a permanência da arte de Neusa Garcia entre nós”, afirma o curador do Instituto Biapó, PX Silveira.
Na exposição “Amigas Santeiras”, que entrou em cartaz em dezembro, o trabalho de Neusa pode ser conferido ao lado de outras duas artistas: Tianinha e Leides. As três tinham em comum o dom de representar santos, anjos e querubins.
De Neusa Garcia, estão presentes na mostra 65 obras, feitas em cerâmica policromada. “Depois de Veiga Valle, poucos escultores se dedicaram a representar a cosmologia católica. Neusa Garcia, Tianinha e Leides estão entre os poucos artistas que deram essa continuidade. Neusa deu vida a essas obras e agora essas obras darão vida a ela; assim, a artista permanece viva entre nós”, explica PX.
Mas não é apenas na exposição que suas obras podem ser vistas. De acordo com o curador, após o furto de uma obra de Veiga Valle na Igreja de Santa Bárbara, na década de 1970, Neusa produziu uma nova imagem da santa e a colocou sobre o altar. “Neusa era apaixonada pelo que fazia e se dedicava integralmente ao seu fazer artístico”, destaca.
Biografia
Neusa nasceu em 1934, em Urutaí (GO), e, em 1940, mudou-se ainda criança para Ipameri, onde passou a infância e a juventude. Na década de 1980, começou a trabalhar com barro, a convite de Tiana Tomé, produzindo suas primeiras esculturas de arte sacra.
No início dos anos 1980, seu presépio passou a ser exibido todo Natal na vitrine da Elvira Boutique, o que lhe proporcionou visibilidade regional. Em 1982, realizou sua primeira exposição individual na Galeria do Chafariz, na Praça Universitária, em Goiânia; a partir daí, passou a ser reconhecida como um importante nome da arte sacra goiana.
Participou da Mostra de Arte da Região Centro-Oeste, em Brasília, e integrou a exposição de reinauguração da nova sede da Galeria Bauhaus, referência em arte em Goiânia. Nas décadas de 1980 e 1990, foi considerada uma das principais santeiras em atividade, com presença em exposições no Museu de Arte Sacra da Boa Morte e em diversas mostras coletivas de escultura.




