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Coral Solo preserva tradição musical da Semana Santa há mais de quatro décadas

Com repertório que inclui mais de 60 cantos, o grupo é peça central nas celebrações religiosas em Goiás

 

Em Goiás, a Semana Santa não se vê apenas — ela se escuta. E, por trás dessa sonoridade que emociona moradores e visitantes, está uma instituição que há mais de quatro décadas se tornou guardiã de uma das mais importantes expressões da religiosidade vilaboense: o Coral Solo da Cidade de Goiás.

Fundado em 1980 pelo maestro Sebastião Curado, o Tão Curado, o coral carrega uma missão que vai muito além da música. Ao longo desse tempo, tornou-se peça fundamental na manutenção de tradições que atravessam séculos, especialmente aquelas ligadas aos cantos sacros da Semana Santa. “Se a gente não tivesse abraçado, muitas dessas tradições não existiriam mais”, afirma o maestro, ao relembrar o momento em que o coral passou a assumir, de forma definitiva, a execução dos cantos litúrgicos que estavam se perdendo na cidade. 

A origem do Coral Solo está diretamente ligada à necessidade de preservar um patrimônio imaterial que corria risco de desaparecer. Ainda jovem, Tão Curado aprendeu os cantos tradicionais com figuras históricas como Darcília Amorim, referência na manutenção da música sacra na cidade. Com o tempo, e diante da ausência de quem desse continuidade a esses cantos, o coral assumiu esse papel. “Fomos preenchendo essas lacunas e dando lastro musical para que as tradições se mantivessem dentro da sua originalidade”, explica. 

Esse processo aconteceu de forma gradual e natural. Primeiro, com o canto dos Motetos das Dores. Depois, o coral passou a integrar também a Semana dos Passos, a Procissão do Fogaréu, as celebrações da Quinta-feira Santa, a Sexta-feira da Paixão e outras manifestações religiosas ao longo do calendário litúrgico.

Hoje, o Coral Solo participa ativamente de praticamente todos os momentos centrais da Semana Santa da cidade de Goiás, em uma verdadeira maratona musical que começa ainda na Quaresma. “São mais de 60 músicas que a gente estuda desde janeiro. É um trabalho intenso, mas é feito por fé, por amor e pela vontade de manter isso vivo”, destaca o maestro. 

Muito além do canto

Mais do que executar músicas, o Coral Solo tornou-se uma estrutura de sustentação da musicalidade da própria Semana Santa. Ao longo dos anos, o grupo assumiu funções essenciais para que as celebrações continuassem acontecendo, muitas vezes de forma voluntária e movida exclusivamente pela fé. “O coral acabou assumindo essa manutenção. Não é só cantar. É garantir que tudo aconteça”, resume o maestro. 

Essa atuação inclui desde a preparação musical até o apoio direto em procissões e celebrações, colaborando com irmandades, igrejas e outras instituições. Para Tão Curado, o Coral Solo é parte de uma rede maior de resistência cultural. “Não cabe só ao coral. Cabe à Irmandade, à OVAT (Organização Vilaboense de Artes e Tradição), à igreja, ao poder público, à comunidade. É um conjunto de forças que mantém isso vivo”, destaca. 

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