Notícias

Bispo da Diocese de Goiás, Dom Jeová Elias, destaca a importância de desacelerar, fortalecer a espiritualidade e renovar os relacionamentos durante o período quaresmal

Passado o período de Carnaval, a Quarta-feira de Cinzas marca o início da quaresma no calendário cristão ocidental, que começa com o rito da imposição das cinzas, lembrando exatamente a transitoriedade humana. “Enfim, as cinzas explicam que viemos do pó e ao pó retornaremos, mas enquanto estamos aqui, devemos viver a beleza e a dignidade da vida concedida por Deus”, relata inicialmente o bispo da Diocese de Goiás, Dom Jeová Elias, em entrevista à Rádio Nova Fogaréu.

Nesse processo, o religioso observa que o ser humano nem sempre segue o “projeto de Deus”, pois, às vezes, “a preferência é caminhar por projetos pessoais e pelo materialismo”. Portanto, ele ressalta a necessidade de o homem buscar uma ligação e proximidade com o divino. “Junto a imposição das cinzas, vem o convite que o ministro faz de converter e crer no Evangelho”, diz.

Logo, o bispo observa que o tempo da quaresma serve para cada indivíduo fazer uma profunda, sincera e verdadeira revisão da sua vida. “E se, por acaso, a consciência acusa de que você não trilha o caminho de Deus, então o trabalho é corrigir os passos, olhar para a frente e buscar a misericórdia”, ressalta.

Durante a quaresma, os católicos não devem se ater apenas numa dimensão exigente do período, como a questão de não comer carne vermelha, pois o religioso passa o recado de que a dimensão também se estende aos aspectos da espiritualidade, esperança e confiança em Deus.

A quaresma é um período de preparação para celebrar o mistério central da fé cristã que compreende o “Mistério Pascal”, representando a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.  “O ciclo litúrgico da Páscoa começa na Quarta-Feira de Cinzas, quando há 40 dias de preparo para a noite da Vigília Pascal no Sábado Santo, especialmente.”

Celebrar a Páscoa marca a ressurreição de Jesus Cristo após sua crucificação, simbolizando a vitória sobre a morte e o pecado. Sobre a principal festividade do cristianismo, Dom Jeová Elias fala da importância de lembrar a vitória de Jesus Cristo sobre a morte. “E, ao mesmo tempo, celebrar nossa esperança de vitória e vida plena e vencer tudo o que representa a morte na nossa caminhada”, frisa.

Segundo o bispo, vivenciar a quaresma significa um período de transformação pessoal e espiritual, sendo que a Igreja propõe os pilares da oração, jejum e da esmola, considerados fundamentais para viver plenamente essa época. “Enfim, é um momento propício de abrir mais espaço para Deus em nossas vidas.”

Ao longo dos domingos da quaresma, os fiéis são convidados a refletir sobre os “Evangelhos da Tentação de Jesus”, ou seja, relatos evangélicos que retratam Jesus pelo deserto em jejum. “Digo que o tempo agora serve como um convite para vivermos um momento mais intenso de oração. Em meio à correria do dia a dia, muitas vezes, o ato de orar é visto como perda de tempo, mas é necessário sermos generosos e dedicarmos tempo a Deus, buscando uma oração de mais qualidade e um retiro a fim de nos prepararmos para a Páscoa”, observa.

O bispo enfatiza a importância do jejum, cujo significado não se resume apenas em privar-se de comida, mas compreende fazer renúncias em solidariedade com Cristo que praticou o ato.  “O jejum também é no sentido de ter solidariedade com os irmãos que sofrem e não têm o necessário para comer.”

Para completar, o líder religioso explica que essa prática ensina o indivíduo a controlar seus instintos naturais e a ser mais solidário, educando-se para respeitar os outros e dominar os impulsos. “É um exercício educativo que ajuda a superar o egoísmo e ter autocontrole sobre as atitudes”.

Sobre a prática da esmola durante a quaresma, citada por Dom Jeová Elias, ele destaca que seu significado no contexto cristão é de o católico ter “abertura do coração em relação aos irmãos e irmãs”. “A ação nos convida a viver três virtudes teologais que são a fé, a esperança e a caridade. A quaresma, portanto, é um tempo de revisão da vida, autodomínio e preparação espiritual para celebrar a Páscoa com alegria”, ressalta.

 

Fraternidade e Ecologia Integral

Lançada oficialmente em Brasília na Quarta-Feira de Cinzas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Campanha da Fraternidade de 2025 escolheu o tema “Fraternidade e Ecologia Integral”, seguido pelo lema “Deus viu que tudo era muito bom”.

Em relação à temática, o bispo da Diocese de Goiás enfatiza que a conversão a que os católicos são chamados durante a quaresma não se limita à dimensão pessoal ou individualista, ao explicar que as atitudes humanas têm reflexo na vida de outro cidadão, na natureza e na relação do indivíduo com Deus. “Converter-se é mudar, superar limites e melhorar nossos relacionamentos em todas essas esferas.”

Este ano, o religioso lembra que o Papa Francisco passou o conceito de “conversão ecológica”, que significa mudar para melhor a relação entre os cidadãos. “E o tema da Campanha da Fraternidade de 2025 é a “Ecologia Integral”, enfocando nossas relações com todos os seres do universo.  Devemos nos preocupar com a nossa casa comum, ouvir o grito da terra e dos pobres”, disse.  Logo, o bispo passa a mensagem de que o desrespeito à natureza traz sofrimento para todos. “E a ecologia integral nos lembra que tudo está interligado.”

Para o bispo, essa interligação não se resume apenas entre os seres humanos, pois cita o exemplo da relação do homem com os elementos da natureza como o sol, a lua, o oxigênio e a chuva, entre outros. “O desrespeito ao meio ambiente tem causado muitos dramas e sofrimentos visíveis e a Igreja está preocupada com a situação, propondo a ecologia integral para a revisão de vida da sociedade brasileira”, comenta.

No mundo atual em que a sede de consumo e a pressa em extrair o máximo da Terra é grande, o bispo então entende que a vida imediatista e a falta de esperança no amanhã são questões a serem enfrentadas. “. Devemos pensar no futuro que deixaremos às próximas gerações, futuro este que não está tão distante.”

 

Prática do deserto

Ainda sobre a quaresma, Dom Jeová Elias destaca que o período serve para desacelerar e abrir espaço voltado à oração pessoal e comunitária.  Neste cenário, ela fala da importância de o católico participar mais ativamente na comunidade, buscando o perdão, seja individualmente ou através do sacramento da confissão, por exemplo, ao reconhecer a necessidade de melhorar. “É um tempo para nos tornarmos mais fraternos, justos, pacíficos, generosos e caridosos”, disse, lembrando que a conversão é um processo contínuo. “É necessário abrir nosso coração a fim de acolher essa graça.”

Além disso, o bispo de Goiás destaca que a quaresma significa uma oportunidade de os cidadãos realizarem a experiência chamada de “deserto”, realçando que o católico pode fazê-la dentro de sua casa, quando se recolhe em silêncio, medita e lê a Bíblia, como exemplo. “A prática também é oportuna para o cidadão refletir em um ambiente fora de casa.  O tempo quaresmal é de profunda renovação espiritual e nos prepara para celebrar a Páscoa com um coração transformado.”

Na Cidade de Goiás, a programação da quaresma inclui missas na Paróquia Santa Rita, Capela São Vicente e Santuário do Rosário e imposição das cinzas em um mosteiro.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *