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Troca de lâmpadas no Centro Histórico da cidade de Goiás gera controvérsia entre moradores e especialistas

A substituição de lâmpadas na Rua Moretti Foggia e na Praça do Coreto, no Centro Histórico da cidade de Goiás, realizada recentemente pela Prefeitura Municipal, tem provocado controvérsia e insatisfação entre moradores, especialistas e defensores do patrimônio cultural.

As antigas lâmpadas de vapor de sódio, que emitiam uma tonalidade alaranjada característica e contribuíam para o clima bucólico das noites vilaboenses, foram trocadas por lâmpadas de LED com luz branca. A mudança, segundo críticas, destoou da iluminação tradicional e do conjunto paisagístico das ruas e praças adjacentes do centro tombado.

Especialistas em patrimônio histórico afirmam que a luz branca descaracteriza o ambiente histórico, rompendo com referências visuais do passado. No século XIX, por volta de 1870, a cidade era iluminada por lampiões abastecidos com óleo de mamona, responsáveis pela coloração amarelada que, ao longo do tempo, tornou-se parte da identidade visual do Centro Histórico.

A atual configuração da iluminação pública do centro remonta ao período em que a cidade de Goiás se candidatou ao título de Patrimônio Histórico da Humanidade, concedido pela UNESCO em 2001. À época, um dos apontamentos feitos pelo órgão internacional foi a necessidade de embutimento da fiação aérea, que se acumulava nos postes e comprometia a paisagem urbana. O projeto incluiu o enterramento das redes elétrica e de telefonia, além da instalação de lampiões com lâmpadas de tonalidade amarela.

As obras foram executadas pela então Companhia Energética de Goiás (CELG), com a contratação de uma empresa mineira especializada em instalações elétricas em cidades históricas. Intervenções semelhantes ocorreram também em Pirenópolis. Todo o processo foi aprovado e acompanhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que, ao final, entregou à prefeitura um caderno de encargos com orientações para a manutenção do sistema de iluminação, visando preservar os aspectos culturais e históricos.

A troca das lâmpadas gerou grande repercussão nas redes sociais, onde internautas e moradores do Centro Histórico passaram a manifestar publicamente insatisfação com a mudança.

Entre os comentários, o chef de cozinha Aloísio Godinho criticou a intervenção:
“A Praça do Coreto ficou pronta, reformada, mas pecaram na troca das lâmpadas dos lampiões. A praça ficou descaracterizada com essas trocas”, escreveu.

A oficial aposentada da Polícia Militar de Goiás, Helena Damásio, também se posicionou em uma publicação nas redes:
“Caminho mais fácil nem sempre é o mais viável. Falta de informação gera descaso. Um fato simples arranha a beleza da cidade e ignora as normativas que a reconhecem como uma joia histórica que hoje não nos pertence mais, e sim a toda a humanidade.”

Em nota oficial, a Prefeitura de Goiás informou que estão sendo utilizadas lâmpadas de LED de forma temporária, em razão da dificuldade de encontrar lâmpadas adequadas no mercado. Segundo a administração municipal, a Prefeitura está buscando lâmpadas apropriadas para a iluminação pública, compatíveis com os lampiões e com tonalidade adequada ao Centro Histórico.

Leia a íntegra da nota:
“A Prefeitura Municipal de Goiás, por meio da Secretaria de Planejamento, Orçamento, Urbanismo e Inovação, e da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos, informa que estão sendo utilizadas lâmpadas de LED, de tonalidade de 3000K, na iluminação da Rua Moretti Foggia, no Centro Histórico, de forma temporária, diante da diminuição drástica da produção de lâmpadas de vapor de sódio pelo fornecedor e da falta do produto em estoque. A Prefeitura está em busca de lâmpadas substitutas que sejam apropriadas para a iluminação pública, compatíveis com os encaixes dos lampiões e que tenham a tonalidade adequada ao Centro Histórico.”

Enquanto isso, a população segue cobrando que as intervenções respeitem as diretrizes de preservação e a identidade visual que fizeram da cidade de Goiás um patrimônio reconhecido mundialmente.

Foto: Reprodução

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